ter, 12/11/2012 - 21:15
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Poemas em sala de aula
 
 “A poesia sensibiliza qualquer ser humano. É a fala da alma, do sentimento. E precisa ser cultivada.”   Afonso Romano de Sant’Anna
 
 “A ‘poiesis’ é uma função lúdica... Ela está para além da seriedade, naquele plano mais primitivo e originário a que pertencem a criança, o animal, o selvagem e o visionário, na região do sonho, do encantamento, do êxtase, do riso. (...) Todo poema tem origem no jogo: jogo do culto, da corte amorosa, jogo marcial da competição, jogo do humor. (...) Tudo que transcende a esfera do juízo lógico e deliberativo é lúdico.”  Johan Huizinga
 
Poesia pode ser definida como “a ordenação rítmica ou simétrica da linguagem, a acentuação eficaz pela rima ou pela assonância, o disfarce deliberado do sentido, a construção sutil e artificial das frases”. J. Huizinga
 
“Mais do que ‘ensinar poesia’, caberia antes, discutir o termo ‘ensinar’. O caminho seria o de criar uma ‘impregnação’ ou de uma ‘sensibilização’, ‘aproximação’, ou ‘leitura’, do que propriamente de ‘ensino’. Na criança, tanto o desenvolvimento da personalidade e da sensibilidade quanto a expansão do real pela poesia, e pela arte em geral, se dão por meio do fluxo da fantasia, por sua percepção particular do mundo. Enquanto no adulto o que supre a suplência da percepção é o conhecimento prévio, na criança o que substitui a imperfeição do conhecimento é a imaginação.” Ligia M. Averbuck
 
O Leitura em Debate aconteceu no Auditório Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional. O programa trouxe o tema Poesia para Crianças e Jovens, com presença de Márcio Vassallo (jornalista e escritor), MaurícioNegro (escritor, ilustrador e designer) e Sérgio Alves (editor da Larousse do Brasil e Escala Educacional). Os encontros do Projeto Leitura em Debate discutem a formação de novos leitores e a literatura infantil e juvenil em seus diversos aspectos. Para isso, inúmeros profissionais da área são convidados para participar, mostrando os diversos olhares que compõe a busca por uma literatura de qualidade e pela formação do leitor.
 
 
Professores: comentários e textos

O objetivo é transformar alunos em leitores aptos a interpretar e compreender o que o poeta quis transmitir em meio aos versos, além de propor que os educandos não percam a poesia que nasce neles desde quando as mães cantavam cantigas de ninar para que dormissem e depois quando brincavam de cantigas de roda, adivinhas, trava línguas etc.

Os professores devem trabalhar poesias e textos poéticos com seus alunos pois estes vêm sendo indicados como um dos meios mais eficazes para o desenvolvimento das habilidades de percepção sensorial da criança e do adolescente, do senso estético e de suas competências leitoras e, consequentemente, simbólicas.

A interação com a poesia é uma das responsáveis pelo desenvolvimento pleno da capacidade linguística da criança e do adolescente, através do acesso e da familiaridade com a linguagem conotativa, e refinamento da sensibilidade para a compreensão de si própria e do mundo, o que faz deste tipo de linguagem uma ponte imprescindível entre o indivíduo e a vida.    Miriam Mermelstein

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Um dos desafios que os professores encontram no cotidiano da sala de aula é o trabalho com o texto poético. As justificativas são inúmeras, desde a ausência de motivação e interesse dos alunos em ler esse tipo de texto, como a falta de conhecimento, formação dos professores para desenvolver propostas com a poesia. Devemos procurar caminhos para minimizar esse distanciamento entre a poesia e a sala de aula. Urge que tenhamos a coragem de ousar, criar, sonhar e transformar a sala de aula em um espaço de prazer, fruição e criação.  M. do Rosário Gomes Germano Maciel
 
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Poesia virou mito em nossas salas de aula. De modo geral, observamos resistências na escola em ler, interpretar, criar e recriar poemas. Poesia nos remete ao passado, coisa de nossos avós que declamavam para as visitas ou recitavam versos nas aulas de língua portuguesa.

A poesia reclama seu espaço e sua vez nesse planeta conturbado. Várias são as iniciativas de professores para recuperarem o prazer da leitura poética, a degustação de palavras combinadas e a viagem na fantasia das imagens. Relatos publicados em sites e revistas de educação e os programas de cursos para professores provam que é possível romper o reconceito de que é difícil trabalhar com poesia.
 
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A poesia ainda é desvalorizada na escola. Os alunos não gostam de ler poemas e o professor, sozinho, não consegue motivá-los. Muitos são os fatores que impedem o florescimento dessa prática em sala de aula, desde o desinteresse dos alunos até a presença tímida da poesia em livros de Língua Portuguesa. Todos nós, educadores, sabemos da importância da leitura da poesia para a formação escolar e humana de nossos alunos.
 A nossa sociedade não cultivou e nem cultiva o hábito de ler textos poéticos. E na escola essa prática fica restrita a determinados momentos, como datas comemorativas ou quando serve de pretexto para estudos gramaticais. Por isso, também, o nosso aluno não consegue perceber o encanto do texto poético. Essa realidade não lhe permite ampliar sua formação enquanto leitor crítico e sensível. Jucimara Braga Alves
 
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Autor
 
Difícil falar sobre a semelhança entre escrever poesias para crianças, jovens e adultos. Toda a diferença do mundo. São registros diferentes, “idiomas” muito distantes como o do menino e o do homem; e do menino que ainda persiste no homem. Mas quando se trata de escrever para os dois, décadas de vivência e exercício literário separam um do outro. Aliás, tenho livros de poemas para crianças e, agora, para adultos. Quem ler um e outro notará a diferença. A principal, me parece, é que o poema para o jovem leitor pede mais o humor, o jogo, a brincadeira. E o poema para adultos, o estranhamento, a palavra em si mesma já como uma forma de presença. Esta a diferença. A semelhança é que desejo fazer literatura, isto é, revitalizar a expressão escrita, me emocionar. Emocionar ao menino que fui e, de algum modo, ainda sou (e, assim, quem sabe, emocionar e tocar os jovens leitores), e ao adulto em que me tornei. Paulo Bentancur
 
 
 
http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/a-poesia-na-sala-aula.htm
 
http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/3985/como-trabalhar-a-poesia-em-sala-de-aula