Gil Veloso

Gil Veloso é paranaense e reside em São Paulo há mais de 30 anos.
Por dez anos foi assistente do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu.
Editou o livro Pequenas Epifanias, de Caio Fernando Abreu (Sulina, 1996). Trabalhou também com Lygia Fagundes Telles e João Silvério Trevisan.
Publicou Fábulas Farsas (2009) e Travessuras, histórias para anjos e marmanjos (2010), pela editora Opera Prima, ambos premiados pelo PROAC.
Fábulas Farsas, ilustrado por Vanderlei Lopes, e Pois ia brincando... (Dedo de Prosa, 2013), imagens de Alex Cerveny, foram selecionados pela FNLIJ para os Catálogos de Bolonha (2010 e 2014). Também publicou pela Dedo de Prosa A pedra encantada (2011), ilustrado por Nara Amelia; O menino arteiro (2011), artes de Guto Lacaz e Um viaduto chamado Minhocão (2015), desenhos de Paulo von Poser.

 

 Comentário sobre o livro O menino arteiro no blog Glamura.

glamurama.uol.com.br

Revista Emília

revistaemilia.com.br

 

 

 

Beatriz Ribeiro Fraga (10 anos) entrevista Gil Veloso

1. O que você queria ser quando era criança?

Quando criança tive vontades e sonhos de ser um montão de coisas; a primeira que lembro era de ser artista de circo, trapezista, palhaço etc. Também tive a fase de querer ser motorista de caminhão e depois cantor, jogador de futebol... Mas não me tornei nada disso, sou professor de yoga e escrevo de vez em quando.  Pensando bem, acho que me tornei um palhaço.

 

2. Gil, no seu livro Pedrita colecionava pedras, e você, coleciona algo?

Eu coleciono um punhado de coisas antigas, selos, moedas, umas pedras da idade da pedra lascada, LPs (discos antigos), óculos de sol... O que eu mais gosto de colecionar são os bigodes de minhas gatinhas Canja-canjica e Carola-carolina; quando eles caem das carinhas delas eu cato e faço pequenos buquezinhos, como se fossem ramalhetes. Se quiser posso lhe dar um.

 

3. O livro A Pedra Encantada é inteligente e trata as crianças como seres pensantes, traz até informações sobre história, como a parte da Inquisição.  Que tipo de livros você lia quando tinha nove anos? E hoje, o que você gosta de ler?

Não lembro exatamente o que eu lia aos 9 anos; um pouco mais tarde lembro de ler revistas com letras de músicas sertanejas, eram do meu pai, que era violeiro caipira; e também revistas de fotonovelas, que eram das minhas tias.  Hoje eu gosto de ler muitas coisas, principalmente  poesia, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e escritores como Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Ah, gosto também de ler dicionários, palavra por palavra;  um dia vou começar ler a Bíblia e não parar nunca mais.

 

4. Se amanhã você acordasse com nove anos, o que você faria?

Esta pergunta é a mais difícil, preciso pensar. Pensei: eu faria uma festa de aniversário todo fim de semana!

 

5. Quando você era criança, você gostava de escrever redações?

De escrever redações eu gostava; nunca gostei de matemática nem de química, até hoje sonho que vai ter prova dessas matérias e acordo apavorado.

 

6. Quais são as suas lembranças da escola? Tem algo a ver com o seu livro: A Pedra Encantada

Não sei se tem algo a ver com A Pedra Encantada, acho que não; tenho poucas recordações do tempo da escola, sou bastante esquecido-distraído, as coisas se apagam e escapam facilmente da minha lembrança; do que eu me lembro mesmo é que tinha medo de matemática, química, física; lembro de alguns professores que tiravam sempre 10 na minha preferência; outros eu dava 4 e meio. Ah, lembrei agora da hora do recreio e de uma comida feita com aveia que tinha de merenda, uma espécie de papinha, muito boa!

 

7. Você se inspirou em alguém para fazer a personagem Pedrita?

A Pedrita nasceu de meus pensamentos, foi só dar uma linha de frase pra ela se expressar. Bastou pra que nascesse toda sabidona de si; sabe essas pessoas que num karaoquê não conseguem mais parar de cantar? Ficam berrando destrameladas-desgoeladas... Então, foi mais ou menos assim que surgiu a Pedrita.

 

8. Com quantos anos você começou a gostar do mundo da leitura?

Acho que só comecei a gostar mesmo de ler quando já era adolescente espichando pra adulto; e agora é tarde para parar de gostar, vou gostar pra sempre!

 

9.  Sobre o que fala seu próximo livro e quando será publicado?

 

O livro chama-se O Menino Arteiro e fala sobre um menino arteiro, tipo esses que inventam e desinventam coisas, montam e desmontam etc. É um menino mas poderia ser uma menina, fazer o quê, nasceu menino, não tenho culpa...  As artes com as palavras sou eu que faço, mas quem inventa mesmo é o Guto-capaz de coisas bem malucas e engraçadas. Será lançado no dia 15 de outubro e estará ao alcance de quem quiser folhear e comprar nas melhores casas do ramo.

 

 

 

 

Maria Lúcia Dal Farra escreve sobre livros de Gil Veloso: Travessuras: histórias para anjos e marmanjos (Opera Prima) e A pedra encantada

(Dedo de Prosa).

 

Tive enorme, enorme mesmo, satisfação em ler os livros que me enviou. Fiquei absolutamente encantada. Primeiro, que os livros são lindos, prazerosos, com uma delicadeza de concepção, papel, tessitura do papel, ilustrações, capa - tudo de primeiro mundo e do maior bom gosto e elegância. Depois, que o rapaz, o Gil Veloso, é extraordinário, extremamente talentoso e grande escritor, e os ilustradores são perfeitos para o caso - e que os livros estão deveras um primor!

A Pedra Encantada é um exercício poético de percorrimento da árvore semântica da pedra em todos os níveis, enlaçando-a (o Gil diria "catapulteando-a" a) situações completamente inesperadas, e deixando-a tamborilar num ritmo encantatório de linguagem. Que coisa mais linda, mais gozosa, mais lúdica! Fiquei fascinada e pensei por que ele não escreveu isso antes para que os meus netos tivessem podido lê-lo na idade mais apropriada! Mas me lembrei muito da filhinha dos nossos compadres de Los Angeles (ambos são professores da UCLA), que tem cinco anos e que passou por aqui em julho, e a quem li muitas histórias aqui na roça - ah, quem dera tivesse essas nas minhas mãos para poder lê-las para ela! Vou enviá-las para lá e depois te direi o que a pequena Ceci vai pensar a respeito - porque ela entende mesmo do riscado!
Nos contos de Travessuras, então, eu sorria sozinha, enquanto lia, porque o que há de humor ali, de graça poética naqueles jeux-de-mots absolutamente fantásticos, nos ecos sonoros nas pequenas histórias tão agradáveis ao ouvido interno e externo. A da Borboleta Amarela é deliciosa: lia-a diversas vezes como você faz com um poema de que gostou muito de ler e de ouvir.
Além do mais, nada disso é facilitado - não é porque se trata de livros dirigidos a um público específico, que a obra se compraz em ser apenas aquilo. De maneira nenhuma! São obras inteiras, sem abertura para uma respiração menor: elas se fazem respeitar!!! Numa palavra, nunca esperei ler um livro com tal categoria dito "literatura juvenil"! 
 

Olá amigos,

Numa noite gelada em Cordisburgo, MG, uns 5 anos atrás, conheci o Gil.
Com um grupo de amigos roseanos queridos, animava a conversa  com  trocadilhos e brincadeiras de palavras e nomes.
Miguilim, Diadorim, Riobaldo, buriti, sertão... rimavam-viravam outras palavras. Cada palavra de nossa conversa se transformava em poemas, contos, causos.
Marily profetizou naquele momento: "escreva um livro". 
Depois foi para o Morro da Garça. Num dia ele apanhou uma carambola e trouxe para o café da manhã na casa de Marily, era a primeira fruta que amadurecia num pezinho de menos de um metro.
O rosto dela  aluminou! fatiou alguns pedaços, e todos nós saboreamos aquela estrelinha amarela, docinha e suculenta.
Da praça da Matriz do Morro pegou umas sementinhas e semeou na casa de amigos em SP. Do alto de um prédio da Av São João, um arbustozinho cresceu exuberante com as suas florzinhas amarelas.
Flororou! como diz a bordadeira de Cordisburgo. Gil a batizou de "amarily" = amar+ amarela+ Marily. 
Assim é Gil. Assim são seus livros. Nos últimos 3 anos, este é o quarto lançamento. 
"O menino arteiro", fazendo arte com palavras, sempre brincando, embaralhando, bagunçando, fazendo trocadilhos.

Venham conhecer mais este primor de obra. 
  
Rosa

 

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